
O prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), afirmou que o aumento expressivo nos cachês artísticos tem colocado em risco a realização das festas de São João em diversos municípios da Bahia. A declaração foi feita na última terça-feira (20), quando o gestor alertou que até cidades de médio porte enfrentam dificuldades para arcar com os custos do evento.
Segundo Zé Cocá, os valores praticados atualmente estão muito acima da realidade financeira das prefeituras. Ele destacou que, nos últimos cinco ou seis anos, os custos do São João aumentaram de forma desproporcional. “O São João começou com um custo e hoje está dez vezes mais caro. Municípios de pequeno porte não terão condições de pagar. Do jeito que está, daqui a três anos nenhum município baiano conseguirá realizar a festa”, afirmou.
O prefeito citou o próprio exemplo de Jequié, conhecida como Cidade Sol, ao mencionar que o orçamento do São João pode saltar de R$ 5 milhões para cerca de R$ 15 milhões, caso siga a mesma média do ano anterior. “Nem Jequié, que é um município de médio porte, tem condição de bancar isso”, completou.
Zé Cocá também comparou os valores praticados no passado com os atuais, ressaltando que, anteriormente, era possível realizar uma festa considerada razoável com cerca de R$ 200 mil. Hoje, segundo ele, esse montante não cobre sequer os custos básicos de produção, como a passagem de som.
Diante do cenário, o gestor defendeu a criação de critérios para conter a inflação dos cachês. A proposta inclui a participação da União dos Municípios da Bahia (UPB) e do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), com o objetivo de estabelecer preços médios e limites de contratação. “Essa pauta precisa ser discutida entre os prefeitos, já que também há a necessidade de reduzir despesas”, concluiu.