
Com o objetivo central de debater o direito de crianças e adolescentes à liberdade de culto e crença no contexto das religiões afro-brasileiras, foi realizado o 4º Encontro dos Povos de Axé. O evento, promovido pela Rede Caminho dos Búzios, com apoio da Prefeitura de Vitória da Conquista, ocupou o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima para celebrar o Dia Nacional das Tradições de Raízes Africanas e enfrentar os desafios da intolerância religiosa que atinge as novas gerações.

Mãe Luanda d’Oxum, integrante da Rede Caminho dos Búzios, destacou que o evento é um marco na luta pelo respeito. “É muito importante que nossas crianças cresçam dentro da nossa religião com dignidade. Precisamos que a sociedade entenda que o povo de Axé é ser humano e merece respeito. A parceria com a Prefeitura facilita a expansão dessa ajuda para toda a cidade”, afirmou a dirigente.

Composição da frente de honra
A presidente do Conselho Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Comppir), Mariana Aquino, celebrou a resistência do movimento: “Nosso papel é promover mais igualdade. Sabemos que não é fácil estar aqui, mas estamos fazendo nosso próprio caminho”.
A consultora em proteção de crianças e adolescentes, Polímnia Cassimiro, palestrou sobre como o racismo religioso repercute violentamente na vida escolar e social dos jovens. “Reconhecer a liberdade religiosa de crianças e adolescentes é uma caminhada de proteção. Estamos aqui para simplificar o direito e ouvir a perspectiva dos povos de Axé sobre as violações que ocorrem em seus ambientes”, explicou.
Complementando a visão prática desse acolhimento, Pai Jorge de Logun-Edé, do Terreiro Lojereci, compartilhou sua experiência como guardião: “O terreiro já desempenha um papel social. Acolho crianças em situação de vulnerabilidade, oferecendo cuidado, educação e ensinamentos sobre nossa cultura, música e canto. Elas são como meus filhos”.
Letícia Figueiredo, representante da Juventude Negra, pontuou que o debate é essencial em uma cidade conservadora. “Nossas crianças sofrem racismo religioso em espaços institucionais como a escola. Discutir como viver sem essa violência é necessário para que as pessoas entendam seus espaços na sociedade”, ressaltou.
Além das mesas de debate, o encontro contou com os painéis temáticos: Reflexões sobre a trajetória da Umbanda em Vitória da Conquista e a importância do acolhimento. A abertura do evento foi marcada por apresentações de samba de roda que reforçaram o sentimento de comunidade e pertencimento.
A ação foi organizada pela Coordenação da Promoção da Igualdade Racial, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes). Também participaram do evento a Comissão Municipal do Selo Unicef e o Núcleo de Cidadania de Adolescentes (Nuca).