
A sucessão ao Governo da Bahia em 2026 começou a ganhar contornos definitivos no final de dezembro, após um evento em Porto Seguro que reuniu lideranças da oposição. Durante a inauguração, uma imagem do ex-senador Antônio Carlos Magalhães (1927–2007), gerada por inteligência artificial, foi exibida em um telão, em um discurso que exaltou o amor pela Bahia e incentivou ACM Neto (União Brasil) a disputar novamente o Palácio de Ondina.
No mesmo dia, o ex-prefeito de Salvador confirmou publicamente sua candidatura ao governo estadual. “Sim, sou candidato a governador da Bahia”, afirmou ACM Neto, em um discurso marcado pela exaltação da memória do avô e críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT).
O movimento marca o início oficial da disputa que deve repetir o confronto de 2022 entre ACM Neto e o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT). Desta vez, porém, o cenário apresenta novos ingredientes, como uma oposição mais unificada e a possibilidade de uma chapa pura do PT.
Assim como na última eleição, o PT tende a apostar na nacionalização da disputa, buscando o chamado “voto casado” entre Jerônimo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2022, Lula obteve 72,1% dos votos no segundo turno na Bahia, enquanto Jerônimo venceu com 52,7%.
Diferentemente da estratégia adotada anteriormente, quando se manteve neutro na disputa presidencial, ACM Neto já sinaliza que estará em oposição direta ao PT em 2026, embora a tendência seja focar temas estaduais e evitar embates diretos com Lula.
No campo oposicionista, os principais partidos devem caminhar juntos. O ex-ministro da Cidadania João Roma (PL), candidato ao governo em 2022, retomou relações com ACM Neto e desponta como possível candidato ao Senado. A articulação ocorre após um período de desgaste da oposição, marcado pela Operação Overclean, que investiga suspeitas de corrupção envolvendo emendas parlamentares. Nos últimos meses, contudo, o grupo ganhou fôlego ao atrair deputados que integravam a base governista.
No cenário nacional, a oposição baiana deve manter um palanque estadual aberto para presidenciáveis, incluindo nomes como Ronaldo Caiado (União Brasil), Ratinho Júnior (PSD), Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é visto como opção remota após o ex-presidente Jair Bolsonaro declarar apoio ao filho.
Do lado governista, Jerônimo Rodrigues deve buscar a reeleição com o apoio de mais de 300 prefeitos e o discurso de maior proximidade com o interior do estado. Ainda assim, enfrenta críticas em áreas como segurança pública e o desgaste natural de um ciclo de 20 anos do PT no comando da Bahia.
Jerônimo já confirmou à imprensa que será candidato à reeleição, afastando especulações sobre uma possível candidatura do ministro da Casa Civil, Rui Costa. O principal desafio interno do PT é a definição da chapa ao Senado. O partido avalia lançar Rui Costa e o senador Jaques Wagner, o que deixaria de fora o senador Angelo Coronel (PSD), que não descarta uma candidatura avulsa.
Nos bastidores, discute-se uma possível compensação política, como a indicação do deputado federal Diego Coronel (PSD), filho de Angelo Coronel, para a vaga de vice-governador — cenário que pode gerar atritos com o MDB, que defende a permanência do atual vice, Geraldo Júnior.
Para o cientista político Cláudio André de Souza, professor da Unilab, a eleição tende a ser acirrada, com disputa concentrada nas cidades médias e grandes. Segundo ele, enquanto a oposição tentará ampliar vantagem nesses municípios, o PT buscará reduzir a diferença e reforçar o voto alinhado a Lula.
Além de Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, também se colocam como pré-candidatos ao Governo da Bahia o ex-deputado José Carlos Aleluia (Novo) e o dirigente partidário Ronaldo Mansur (PSOL).